A implementação da Educação Especial na Educação Básica no Brasil avançou muito nas últimas décadas. Hoje, cursos de graduação e pós-graduação reconhecidos pelo MEC — presenciais, semipresenciais ou EAD — são mais acessíveis, e a legislação é sólida.
No entanto, os desafios crescem na mesma proporção. Garantir uma educação inclusiva de qualidade, com infraestrutura, formação docente e materiais pedagógicos adequados, ainda é um obstáculo para muitas redes de ensino.
Neste artigo, vamos analisar os principais desafios e avanços da Educação Especial, com foco especial na Libras na alfabetização e na inclusão de crianças surdas nas escolas regulares.
1. Formação e Capacitação de Professores: o maior desafio da inclusão
A formação docente precisa ser contínua e permanente, principalmente quando falamos de:
- alfabetização de crianças surdas,
- ensino da Libras para crianças,
- adaptação curricular,
- construção do PEI (Plano Educacional Individualizado).
Nas escolas, ouvimos diariamente perguntas como:
- “Como lidar com a diversidade de necessidades específicas dos estudantes?”
- “Como ensinar quando não sabemos por onde começar?”
- “Como preparar um material condizente com a necessidade do aluno especial?”
A realidade é que muitos educadores vivem o famoso DDD: Desgastados, Despreparados e Desesperados diante das exigências atuais da sala de aula.
Não é raro ouvir falas como:
- “Não sei adaptar o material para meu aluno.”
- “Não tenho material adequado. O que eu faço?”
Essas situações revelam uma verdade preocupante: os professores não estão recebendo apoio suficiente.
É possível que um único profissional dê conta de alunos com TEA nível 2 ou 3, TOD, TDAH, dislexia e estudantes surdos que precisam de Libras para aprender?
Pesquisas indicam que 70% dos professores municipais de BV apresentam adoecimento físico ou emocional, reflexo direto da sobrecarga.
2. Infraestrutura e Acessibilidade: entre a lei e a realidade
Embora a LDB nº 9394/1996 garanta o acesso de estudantes da Educação Especial às escolas regulares, a prática é bem diferente.
Perguntas necessárias:
- As escolas possuem estrutura física acessível?
- Há profissionais capacitados para atender todas as necessidades?
Alguns municípios, como Boa Vista, avançaram oferecendo AEE em todas as escolas e contando com assistentes escolares.
Por outro lado, há redes onde:
- faltam salas adaptadas,
- não há materiais específicos,
- o professor não conta com apoio humano,
- os intérpretes de Libras existem, mas o material pedagógico não é adaptado.
O resultado é uma inclusão incompleta.
3. Gestão inadequada dos recursos financeiros e humanos
O FUNDEB envia entre R$ 5 mil e R$ 8 mil por aluno especial por ano — um valor significativo. Mas a má gestão faz com que muitas escolas continuem enfrentando:
- Escassez de profissionais especializados;
- Ausência de AT (Acompanhante Terapêutico);
- Salas superlotadas;
- Falta de materiais adaptados e acessíveis.
Sem organização, mesmo bons recursos se perdem.
4. Resistência cultural e preconceito
Outro desafio importante é a barreira humana, que envolve:
- Famílias que não aceitam o diagnóstico da criança;
- Falta de compreensão sobre TEA, TDAH, TOD, Deficiência Intelectual, Altas Habilidades, etc.;
- Crianças surdas que precisam de Libras para aprender, mas não têm professor bilíngue ou intérprete;
- Professores que desejam incluir, mas não têm formação nem material.
Sem mudança cultural, a inclusão não avança.
5. Adaptação Curricular e Construção do PEI
Segundo Paulo Freire,
“A inclusão só acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades.”
O PEI (Plano Educacional Individualizado) é essencial, mas ainda é um dos pontos mais frágeis da Educação Especial:
- Falta tempo para construir;
- Falta orientação técnica;
- Falta equipe;
- Falta acompanhamento.
Muitas escolas recebem o aluno com laudo, mas não constroem o PEI, o que impede uma inclusão real.
6. Descontinuidade das políticas públicas
Com a troca de governos, iniciativas inclusivas são interrompidas. Entre os direitos previstos em lei, destacam-se:
- Lei nº 12.764/2012 (Lei Berenice Piana) – assegura direito ao AT para alunos com TEA;
- Decreto nº 8.368/2014 – reforça que o AT deve ser fornecido gratuitamente pela escola;
- LBI nº 13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência;
- PNE – Lei nº 13.005/2014 – metas e estratégias para inclusão.
As leis existem, mas sua aplicação é irregular.
Avanços significativos da Educação Especial
Mesmo com os desafios, é preciso reconhecer:
- A legislação brasileira é forte e bem estruturada.
- Diagnóstico precoce está mais acessível.
- O SUS oferece terapias e medicamentos para crianças com deficiência.
- Muitas escolas contam com Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) para o AEE.
Esses avanços criam base para uma inclusão mais efetiva.
Respondendo aos principais questionamentos dos professores
Aqui retomamos as dúvidas mais comuns nas escolas.
1. Como lidar com a diversidade de necessidades específicas?
Alguns caminhos:
- Formação continuada;
- Conhecer profundamente o estudante;
- Acesso a materiais adaptados;
- Planejar atividades com níveis diferentes de complexidade;
- Parceria com o AEE;
- Flexibilidade no planejamento.
Como dizia Vygotsky:
“O aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento.”
2. Como ensinar quando não sabemos por onde começar?
Comece por:
- Entender o diagnóstico, mas focar no aluno, não na condição;
- Observar como ele se comunica;
- Adaptar atividades simples;
- Buscar apoio do AEE, intérprete, psicopedagogo;
- Não querer fazer tudo de uma vez — inclusão é construção diária.
3. O que fazer quando não há material adequado?
Possíveis soluções:
- Adaptar o que já existe;
- Priorizar objetivos essenciais;
- Utilizar materiais prontos das redes de ensino;
- Criar acervos coletivos entre os professores;
- Buscar materiais especializados feitos por profissionais da Educação Especial.
4. A escola tem estrutura física e humana suficientes?
Muito já foi feito, mas ainda falta:
- Espaços verdadeiramente acessíveis;
- Profissionais suficientes;
- Redução da sobrecarga do professor;
- Melhor organização e distribuição dos recursos.
5. Onde encontrar material pedagógico para tantas especificidades?
Algumas opções:
- Produções próprias da escola;
- Materiais orientados pelo AEE;
- Plataformas educacionais;
- Acervos digitais;
- Materiais criados por especialistas.
Nossa iniciativa: Libras para alfabetização
Criamos materiais pedagógicos que tornam a Libras na alfabetização simples, lúdica e acessível.
Oferecemos:
- Jogos;
- Atividades prontas para imprimir;
- Recursos visuais;
- Materiais bilíngues;
- Metodologias práticas para pais e professores.
➡ Instagram: @librasparalfabetizacao
Como garantir uma inclusão escolar real?
Alguns pilares essenciais:
- Acolher o aluno como ele é;
- Planejamento intencional;
- Participação em todas as atividades;
- Cultura escolar inclusiva;
- Revisão constante das práticas;
- Construção e execução do PEI;
- Acompanhamento de AT;
- Acesso a materiais específicos;
- Parceria com o AEE;
- Adaptação curricular e avaliação adaptada;
- Uso de recursos de tecnologia assistiva.
A inclusão verdadeira acontece quando o aluno não apenas está na escola — mas faz parte dela.
![libras para alfabetizaç]ão auxilia pais e professores no processo de ensino da LIBRAS.](https://librasparaalfabetizacao.com/wp-content/uploads/2025/05/cropped-Ativo-35.png)